Startups: por que a maioria quebra?

Um levantamento do Observatório Sebrae Startups descobriu que 56,56% das mais de 18 mil startups cadastradas não geram receita e, consequentemente, quebram. Isso quer dizer que a maioria sequer conseguiu validar uma proposta de valor no mercado. O número escancara que mesmo que se tenha uma boa ideia, isso não é suficiente para construir um negócio viável.

O problema é que a jornada de uma startup costuma tropeçar nas mesmas ciladas: soluções sem demanda, modelos de negócio frágeis, zero foco em comunicação e insistência em criar tudo. A boa notícia é que esses erros podem ser corrigidos a tempo e, melhor ainda: prevenidos desde o início.

Produto sem mercado é como Wi-Fi sem internet

Um erro grave e, infelizmente, comum é desenvolver produtos baseados no hype ou na empolgação com a tecnologia, não em uma necessidade. É o que acontece quando a startup cria algo que ninguém pediu, que não resolve um problema, ou que não gera vantagens ou melhorias para o negócio de quem poderia adquirir.

Vejamos o caso da Ansaro, uma plataforma que usava IA para entrevistar candidatos em recrutamentos. A tecnologia era sofisticada, mas esbarrou em três pontos: demoraram a ajustar a estratégia porque a equipe não tinha espaço para questionar o plano inicial, confundiram compradores (CHROs) com usuários (recrutadores) e trabalhavam com um problema cujo ROI só apareceria anos depois. Ou seja, o resultado foi baixa tração e encerramento das operações.

Para não cair nessa, antes de escalar qualquer ideia, é preciso confrontar a realidade: entender quem realmente vai usar, qual é a urgência do problema e se o valor pode ser comprovado em tempo viável. Só assim faz sentido investir energia, código e dinheiro.

Tecnologia sem receita é só um experimento caro

Muitas startups até criam bons produtos, mas se esquecem do básico: “como o negócio vai gerar receita com isso?”. Sem um planejamento financeiro, até as ideias mais legais viram armadilhas. Custos altos com infraestrutura (como nuvem, rotulagem de dados ou suporte técnico) e precificação mal feita são erros comuns de negócios que quebram.

Por falar nisso, lembra do robô da Jibo? Bonito, inteligente, estampou manchetes. Mas não conseguiu convencer o mercado a pagar por ele e a empresa fechou com prejuízo milionário, assim como outras da robótica como a Kuri e a Anki, que chegou a levantar um investimento de 180 milhões de dólares e, mesmo assim, não conseguiu manter as portas abertas.

Evitar isso exige que, desde o início seja definido qual “dor” será resolvida, quem vai comprar, quanto vai pagar, com que frequência e por qual entrega de valor. Um modelo de negócio sustentável é aquele que equilibra custo de produção, margem de lucro, capacidade de retenção e escalabilidade. 

O produto é bom, mas ninguém sabe que existe

Outro erro é o desequilíbrio entre desenvolvimento e comunicação. Geralmente, alguns fundadores investem quase todo o tempo e orçamento em engenharia e deixam o marketing e a estratégia de mercado para depois. Só que, nesse ínterim, o produto morre por inanição.

Então, a pergunta aqui é: se você colocasse seu produto na frente do público agora, eles entenderiam o valor? Saberiam por que ele é diferenciado? Confiariam o suficiente para comprar? Eles recomendariam? Se a resposta for “não sei”, o problema está aí. 

Lançar uma startup sem estratégia de negócios é como abrir uma loja no deserto. Investir em conteúdo, ouvir os clientes desde o primeiro dia e montar um plano de go-to-market com clareza de posicionamento é o que transforma tecnologia em negócio rentável.

Querer criar tudo é só ego técnico

Criar uma plataforma inteira do zero parece até heroico. Mas, na prática, customizar dezenas de funcionalidades genéricas como login, dashboards ou autenticação compromete tempo, qualidade e foco do seu time. Isso gera uma dívida técnica que é totalmente inviável.

Até porque desperdiça meses criando coisas que já existem, estão prontas e poderiam ser integradas via APIs ou adquirindo serviços via colaborações com outras empresas parceiras. Em alguns casos, sairia até mais barato do que criar internamente.

Portanto, antes de seguir nessa direção, vale fazer algumas perguntas: Isso é indispensável para o meu negócio? Já existem soluções testadas no mercado? Tenho capacidade de manter isso no futuro? Vale mais criar ou integrar? A resposta vai mostrar o que, de fato, vale a pena.

Alinhar todos os aspectos do negócio é um desafio hercúleo

Se sua startup tem tudo para crescer, mas você sente que tem algo travando, o problema pode estar nos bastidores. Produto, comunicação, modelo de negócios, precificação adequada, governança, jurídico, tecnologia:  tudo isso precisa estar alinhado. Esse tipo de problema é o que vemos todos os dias na Navega: alinhar os elementos estratégicos para transformar ideias em negócios viáveis e prontos para escalar. O desafio é imenso e por isso contamos com um time diversificado. Uma startup não pode ter apenas vendedores ou apenas desenvolvedores. Uma equipe multidisciplinar com muita capacidade de realização é imprescindível para maximizar a chance de atingir bons resultados para o negócio.

É fundamental que a sua empresa tenha parceiros para fazer networking constante, especialmente nas áreas em que você tem menos capacidade, buscando complementar o conhecimento e capacidade operacional. É assim que atuamos na Navega, com parceiros que complementam as nossas habilidades, e juntos, podemos crescer muito mais. 

Fontes

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